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The one who does not judge has two friends. H. Koppdelaney

Adaptado de O Tao Lunar, Deng Ming Dao

O solstício de Inverno é comemorado quando a luz solar num dado hemisfério está no ponto mais fraco e o dia é o mais curto. A comemoração está profundamente ligada à observação da relação entre Yin e Yang: o Yin está no seu apogeu e, no entanto, as pessoas sabem que deve recuar à medida que o Yang se tornará ascendente a cada dia daqui em diante. Como todos os outros festivais, o solstício de Inverno é uma altura de reunião com a família.

fu-retornoO solstício de Inverno era visto como um tempo de descanso e renovação. Durante o inverno, a energia vital está está adormecida e a natureza descansa. O movimento que trará uma restauração da vida está agora debaixo da terra, tal como a linha Yang no fundo do hexagrama 24 “Retorno”, que representa este período.

Os sábios sugerem assim o que devemos fazer sempre que há trevas na nossa vida: descansamos e renovamo-nos. Quer isso signifique o retorno da saúde após a doença, o retorno da compreensão após o conflito ou o retorno da boa ventura após o desastre, o retorno do bem na altura própria tem que ser permitido, fortalecendo-o pelo descanso e cuidada atenção.

Cada ano tem o seu dia mais escuro. Quem de nós passa por trezentos dias sem qualquer infortúnio ou dificuldade? O problema pode muitas vezes levar-nos à loucura e deixar-nos a olhar perplexos para a escuridão através das nossas janelas. Para todos nós, então, o solstício de Inverno é uma lembrança de que a escuridão chega ao seu maior extremo precisamente durante um dia.

O calendário lunar Chinês é regulado pelo solstício de Inverno. Assim este dia é o ponto de referência para o ano que vem. Em qualquer momento da vida poderemos encontrar-nos num Inverno e sentir que atravessamos o período mais escuro de sempre. Pense neste dia e faça o que tem sido feito por milhares de anos: unirmo-nos com família ou amigos próximos, nutrirmo-nos e aos outros, fixarmos a intenção na verdade dos ciclos e procurar refúgio no sagrado.

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“O fundo do coração é mais distante que o fim do mundo.” provérbio Chinês

Num período de trinta anos, o cancro tornou-se uma das principais causas de morte não natural em nações desenvolvidas.

O custo direto do tratamento do cancro nos Estados Unidos ascende aos 103 biliões de dólares. Já o custo indireto devido a estas partidas prematuras acrescenta mais 161 biliões.1 Com um aumento que parece exponencial, qualquer um poderá hesitar em considerar um futuro cenário.

Tai Lahans, uma conhecida médica oncologista autora na área da medicina Chinesa, eloquentemente explica a ontogenia da epidemia do cancro nos nossos dias:

“Os fatores externos confundem-se com os fatores internos, mas todos se resumem a como vivemos: o florescimento da população humana que vive em meios sobrelotados, sem conexão entre si ou com o mundo natural e impulsionada pela necessidade de sobreviver na condição da vida moderna.

Os mecanismos externos são nosso estilo de vida atual e tudo aquilo em que nos envolvemos de forma destrutiva. Os mecanismos internos são os resultados destes comportamentos destrutivos: todos os impactos mensuráveis em relação aos fatores de crescimento, lesões genéticas, deficiências imunológicas, inflamação crónica e assim por diante.

A medicina moderna trata os mecanismos internos, mas presta pouca atenção aos mecanismos externos. Os profissionais de saúde convencionais consideram que apenas tratam doenças, não que, antes de qualquer protocolo, são guardiães da vida das pessoas; Possuem apenas metade da história como base para as intervenções.

Ao contrário das doenças infecciosas, é feita uma distinção em relação aos óbvios problemas de saúde pública que envolvem os cancros. Nenhuma medida de saúde pública é tomada quando se trata de cancros. Há diversas razões económicas, políticas e sociais pelo qual isto acontece. Não existem razões científicas pelas quais os cancros não devam ser considerados do domínio da saúde pública. “2

Certamente, há também um aspecto social, sinónimo de uma orientação de natureza patriarcal, beneficiando mais a uma elite com maiores recursos financeiros, dividindo as pessoas mais do que unindo-as.

À medida que avançamos nesta realidade, há também uma luta para evitar a abordagem reducionista, em prol de uma visão verdadeiramente integrada e holística da saúde, da doença e dos seus mecanismos.

Apesar das muitas maravilhas que a ciência e a tecnologia nos trouxeram desde o século passado até ao presente, devemos ainda permitir que esta orientação continue a ser a luz que guia a nossas vidas? Até que ponto a crescente presença dos cancros é uma resposta a este desequilíbrio?

Seja qual for a conclusão a que cheguemos, devemos explorar todos os recursos minimamente sensatos. Possivelmente uma perspectiva integral, informada de forma significativa pela ontologia da medicina Chinesa possa lançar luz sobre uma revolução em curso que busca novas significâncias, uma nova sabedoria.

1.1.“Cancer in 2014 – Cancer Progress Report.” 2016. Accessed December 19. http://cancerprogressreport.org/…/Pages/cancer2014.aspx….

2.Lahans, Tai. 2013. The Geology of the Modern Cancer Epidemic. WORLD SCIENTIFIC. doi:10.1142/8629.

CANCER, PUBLIC HEALTH AND CHINESE MEDICINE

In the span of 30 years, cancer became one of the main causes of unnatural death in developed nations. If the direct cost of treating cancer in the United States amounts to around $ 90 billion, the indirect cost due to these premature deaths adds a further $ 130 billion.1 Anyone may hesitate to face the future possibilities, as the rise in numbers seems growing exponentially.

Tai Lahans, an American Chinese medicine oncologist woman who did her Ph.D. in Beijing, China, eloquently explains the ontogeny of cancer epidemics in our modern days:

“The external factors mingle with the internal factors, but all boil down to how we live: the burgeoning of the human population living in unusually crowded conditions without connectedness to one another or to the natural world and driven by the need to survive comes close to describing the condition of modern life.

The external mechanisms are our current lifestyle and all of those things we engage in that are destructive. The internal mechanisms are all of the measurable impacts regarding growth factors, genetic injuries, immune deficiency, chronic inflammation, and so on —the results of that destructive behavior.

Modern medicine treats the internal mechanisms but pays little attention to the external mechanisms. Conventional medical providers see themselves as disease treatment purveyors but not as guardians of people’s lives; they have only half of the story as the basis for their interventions. Unlike infectious diseases, a distinction is made regarding the obvious public health issues of cancers. No public health measures are taken when it comes to cancers. There are many economic, political, and social reasons why this is true.

There are no scientific reasons why cancers should not be considered within the public health domain except that public health equals prevention, and cancers, according to modern biomedicine, are not preventable.”2

There is a social aspect to it as well: it is patriarchal in nature, it benefits more an elite that has more financial resources, perhaps dividing people more than uniting them.

Amidst this fact, there is also a fight for avoiding the reductionist approach, in behalf of a truly integrated, holistic view of health and disease and its mechanisms.

Albeit the many wonders that science and technology have brought us in the last and present century, should we still allow it to remain the guiding light in our lives? To what degree is the growing presence of cancers a response to this lopsidedness?

1.1.“Cancer in 2014 – Cancer Progress Report.” 2016. Accessed December 19. http://cancerprogressreport.org/…/Pages/cancer2014.aspx….

2. Lahans, Tai. 2013. The Geology of the Modern Cancer Epidemic. World Scientific. doi:10.1142/8629.

Diagnostic

“Uma palavra vinda do coração pode aquecer por três Invernos.” Provérbio Chinês

Durante a maior parte da década de 1990, a grande Farma (diminutivo para farmacêutica) foi o negócio mais rentável no mundo, conforme medido pela revista Fortune e, mesmo em 2009, depois de vários anos de litígios, demissões e patentes expiradas, estava em terceiro lugar.[1]

A indústria determina em grande parte quais terapias serão investigadas e quais os mercados a explorar. Como consequência, o papel na determinação do que os médicos recomendam e o que os pacientes pedem também está a aumentar. A pesquisa biomédica nos Estados Unidos representa uma indústria de 100 biliões de dólares, com o dobro de lucros desde 1999.

Houve uma mudança significativa na principal fonte de financiamento da pesquisa, do governo para a indústria. Em 1980, 32% da pesquisa clínica era financiada por empresas farmacêuticas privadas, dispositivos médicos e empresas de biotecnologia; Hoje o valor é 65%.[2]

Medicina Complementar e Alternativa
As terapias médicas alternativas desempenham um papel cada vez mais importante nos cuidados de saúde das sociedades modernas, tal como reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.[3]

As escolas de medicina também abraçam esta tendência com reformas em seus programas, voltadas para o ensino de futuros profissionais de saúde sobre formas não convencionais de cura. No léxico médico, CAM (para “medicina complementar e alternativa”) já é um acrónimo bastante reconhecido, representando uma corrente cada vez mais significativa dentro do mainstream médico.[4][5][6]

Medicina Chinesa
Na China, a biomedicina e a medicina Chinesa oficialmente compartilham direitos iguais dentro dos limites de um sistema de saúde único, mas plural.

De acordo com Scheid (2002), uma integração da biomedicina e da medicina asiática não pode ter lugar no que se entende em termos epistemológicos da biomedicina. Os participantes relevantes devem buscar e defender metodologias apropriadas de pesquisa para questões que a biomedicina não reconhece ou negligencia. Embora a prescrição de remédios à base de plantas e a acupuntura possam ser melhoradas pela padronização, os estudos de aquisição de habilidades clínicas e ensaios pragmáticos podem nunca vir a encontrar consenso global. A esperança para a integração da medicina asiática nos cuidados de saúde contemporâneos reside numa redescrição da medicina clínica tal como é actualmente praticada na tradição ocidental.[7]

A continuar.
[1]Elliott, Carl. 2013. “White Coat, Black Hat: Adventures on the Dark Side of Medicine” Beacon Press ISBN-13: 978-0807061442
[2]Kaufman, Sharon. 2015. “Ordinary Medicine: Extraordinary Treatments, Longer Lives, and Where to Draw the Line (Critical Global Health: Evidence, Efficacy, Ethnography)” Duke Press 978-0-8223-5888-6
 [3]World Health Organisaton. 2001. “Legal Status of Traditional Medicine and Complementary/Alternative Medicine: A Worldwide Review.” Essential Medicines and Health Products Information Portal: A World Health Organization Resource, 200. doi:j.
 [4]Vohra, Sunita, Kymm Feldman, Brad Johnston, Kellie Waters, and Heather Boon. 2005. “Integrating Complementary and Alternative Medicine into Academic Medical Centers: Experience and Perceptions of Nine Leading Centers in North America.” BMC Health Services Research 5: 78. doi:10.1186/1472-6963-5-78.
 [5] Falkenberg, Torkel. 2011. “From Traditional Medicine to Integrative Care A Global Research Perspective. Keynote Lecture Complementary and Alternative Medicine Strategies, Training, Research and New Developments (CAMSTRAND) Conference 2011, Southampton, UK.” European Journal of Integrative Medicine 3 (2): 2011. doi:10.1016/j.eujim.2011.04.024.
[6] Robert D.  Johnston (Editor). “The Politics of Healing: Histories of Alternative Medicine in Twentieth‐Century North America .” New York: Routledge, 2004.” 2004. Isis 95 (3). The University of Chicago Press : 543–44. doi:10.1086/429068.
 [7]Scheid, Volker. 2002. “Chinese Medicine in Contemporary China: Plurality and Synthesis (Science and Cultural Theory).” Duke University Press Books. ISBN-13: 978-0822328728

 

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The purpose of this study was to provide a quantitative evaluation of the effectiveness of traditional Chinese mind and body exercises in promoting balance ability for old adults. The eligible studies were extensively searched from electronic databases (Medline, CINAHL, SportDicus, and Web of Science) until 10 May 2016. Reference lists of relevant publications were screened for future hits. The trials used randomized controlled approaches to compare the effects of traditional Chinese mind and body exercise (TCMBE) on balance ability of old adults that were included. The synthesized results of Berg Balance Scale (BBS), Timed Up and Go Test (TUG), and static balance with 95% confidence intervals were counted under a random-effects model. Ten studies were selected based on the inclusion criteria, and a total of 1,798 participants were involved in this review. The results of the meta-analysis showed that TCMBE had no significant improvement on BBS and TUG, but the BBS and TUG could be obviously improved by prolonging the intervention time. In addition, the results showed that TCMBE could significantly improve the static balance compared to control group. In conclusion, old adults who practiced TCMBE with the time not less than 150 minutes per week for more than 15 weeks could promote the balance ability.

source: http://www.hindawi.com/journals/ecam/2016/7137362/

Investigadores britânicos descobriram que a acupuntura é uma  alternativa de baixo custo para a substituição do joelho de pessoas que sofrem de osteoartrite (OA).

De cento e quatorze pacientes a quem se ofereceu acupuntura para a OA do joelho, noventa aceitaram, sendo encaminhados para duas clínicas especializadas em dor de joelho para acupuntura em grupo, onde foram acompanhados por dois anos. Todos os pacientes (idade média = 71) tinham sintomas graves, incluindo dor constante e incapacidade de andar longas distâncias e foram elegíveis para a cirurgia de substituição do joelho. Os tratamentos ocorreram em consultórios de clínica geral, praticado por enfermeiros treinados em acupuntura. Os pacientes receberam acupuntura uma vez por semana durante um mês, após o qual foi reduzida a frequência de uma sessão para cada seis semanas. Após um ano, 41 pacientes ainda estavam presentes, e depois de dois anos, 31 ainda estavam recebendo tratamento.

Cada paciente recebeu uma média de 16,5 tratamentos. Scores de sintomas subjetivos mostraram melhorias clinicamente significativas na dor, rigidez e capacidade funcional, após um mês de tratamento e estas melhorias persistiram o período de acompanhamento de dois anos. Análise das consequências de custos da introdução da acupuntura sugere que um eventual projecto em clínica geral poderia poupar uma estimativa de £ 100.000 por ano.

Taxas de substituições totais do joelho foram mais baixas no grupo usando acupuntura (10%), em comparação com grupos vizinhos. Um estudo qualitativo relativamente às experiências dos pacientes nas clínicas revelou elevada aceitação da acupunctura em grupo: (Group acupuncture for knee pain: evaluation of a cost-saving initiative in the health service. Acupunct Med 2012 Aug 20;30:170-175. ‘All in the same boat’: a qualitative study of patients’ attitudes and experiences in group acupuncture clinics.   Acupunct Med. 2012 Aug 20;30:163-169).

http://www.jcm.co.uk/research-archive/article/acupuncture-offers-gps-low-cost-alternative-to-knee-surgery-2069

C. Huang, T. Sheu, “Study of the Heat Transfer Effect in Moxibustion Practice”, Dept of Engineering Sciences and Ocean Engineering, National Taiwan University

http://www.intechopen.com/books/developments-in-heat-transfer/study-of-the-heat-transfer-effect-in-moxibustion-practice

O Dao dá à luz o um,

O um dá à luz o dois,

O dois dá à luz o três,

O três dá à luz as dez mil coisas.

Dao De Jing

Todos os modelos médicos são baseados em perspectivas reflectindo subjacentes crenças e assumpções acerca da vida, e inerentes à cultura onde se desenvolveram. Para poder apreciar a natureza interna da medicina Chinesa, precisamos antes compreender como viam os Chineses o seu mundo.

O conhecimento na China antiga era focado na compreensão dos movimentos do dao – o princípio último, a influência criativa – manifestando-se externamente no universo e, internamente, nos humanos. Dao De Jing e Zhuangzi são os primeiros documentos existentes associados com a filosofia naturalista da escola Dao de . Definem as reflexões fundamentais acerca da natureza da existência, intrínsecas à tradição de cura na medicina Chinesa.

A vida humana deve, ultimamente, seguir a ontogenia do dao, pois a natureza implícita do dao forma a fundação da nossa jornada desde o nascimento à morte. Os estágios de desenvolvimento do dao, na medida em que ser emerge de não-ser, estão enumerados nos antigos textos Daoistas.

Enumeração é essencial para perceber o funcionamento do dao na evolução do ser. A referência a números também permite uma compreensão do movimento implícito do dao, no âmago de todos os movimentos observáveis na vida. Considere-o a tentativa dos Daoistas para ordenar diferentes estágios qualitativos durante a evolução do dao, inerentes à existência fenomenológica.

A enumeração Daoista pode ser encontrada em ambos domínios da mitologia e ciência. Sem dúvida, o uso de números encontrado nos textos Daoistas constitui uma parte essencial da antiga mitologia creacionista Chinesa. Esta enumeração também foi usada pelos antigos Chineses para sistematizar a sua percepção do mundo, mais as importantes relações funcionais na vida. Desta forma, a enumeração veio a constituir uma base teórica e científica da perspectiva sintética indutiva presente no âmago da tradição interna da medicina Chinesa.

Autor: Lonny Jarret in Nourishing Destiny (disponivel em http://www.spiritpathpress.com) [traducao do blogger]

Embora no meio rural chines – onde a maioria da populacao chinesa vive – ainda se espere que uma mulher assuma o papel tradicional da “boa esposa”{1}, muito do que a tradicao confucionista ensina acerca do papel da mulher e profundamente contrastante com a “vida moderna” que se tem conquistado nas recentes decadas.

Em geral, os Chineses ainda sao muito orientados em torno da necessidade da familia, como um valor fundamental na sua cultura. Ainda que nao haja discriminacao alguma para as mulheres que desejam ser mais independentes – ser empreendedora, nao querer ter filhos, divorciar-se, viver sozinha, questionar o dogma que dita as regras sociais de bom carater e boa conduta – existe receio de recriminacao social por, eventualmente, nao se estar a altura do que se “espera” de uma senhora.

Apesar de valores machistas no seio da cultura confucionista, eu sinto que ha um respeito pela mulher que nao encontro no Ocidente. A opiniao e a participacao da mulher nas decisoes, na vida dia-a-dia e muito valorizada nesta cultura Chinesa. Isto pode tambem ser reflexo de certos aspetos muito importantes: varias culturas matriarcais existiram aqui ao longo de milenio; no seculo passado, o papel da mulher foi muito « propagandizado » por Mao Zi Dong no sentido de a ter a labutar nos campos (enquanto passava fome), ter filhos mais tarde pela “revolucao”; eventualmente, nao pode ser esquecido, o facto do sofrimento causado por um planeamento familiar que ainda hoje leva a abortos forcados e histerectomias (nem sempre bem sucedidos), por vezes, em massa.

Nao sendo excecao, a violencia no seio da familia Chinesa tambem existe, mas ainda e um tema tabu na sociedade, espera-se que a mulher vitima de violencia nao se atreva a expor a situacao em publico e existe pouca proteccao a mulheres e criancas vitimas de violencia familiar.

No entanto, a ignorante e secular descriminacao e a preterencia das raparigas tem vindo a mudar nos ultimos anos, refletindo uma maior auto-consciencia . Inevitavel – seguindo uma tendencia global, a maioria dos estudantes em muitas escolas e instituicoes de ensino superior sao..mulheres. Na minha universidade existe uma relacao de 2/8 entre o sexo masculino e feminino. A maioria sao estudantes muito esforcadas e, nao raramente, tem papeis de lideranca nas diversas actvidades extracurriculares. Curiosamente, muitas mostram um brilho interessante nos olhos, como se nada fosse impossivel e soubessem que estao a criar algo inovador.

{1} Cada ano,150 000 mulheres cometem suicidio na China rural – quase 500 por dia – o unico lugar no homens, de acordo com a Organizacao Mundial de Saude.*

*www.nytimes.com/1999/01/24/world/women-s-suicides-reveal-rural-china-s-bitter-roots.html?pagewanted=all&src=pm
http://www.articles.latimes.com/2008/jan/02/world/fg-women2planeta onde as mulheres se suicidam mais que os

Estou a viver na costa leste da China, onde se da todo o desenvolvimento de dois digitos que todos costumamos ouvir falar. Este crescimento aconteceu ao custo de muito stress ambiental e enormes disparidades sociais, agora maiores que aquelas que existem nos EUA e que a China sempre criticou. Na verdade, aqui existem os rios mais poluidos do mundo e em maior numero e os recursos hidricos sao apenas 1/4 da media que existe em relacao ao resto do mundo. 

 

As pessoas estão a abrir-se muito, na medida em que a liberdade traz um novo sabor a vida e ha extrema curiosidade pelo Ocidente. Na verdade, muitas cidades (cidades = urbes com mais de um milhao de habitantes)  na China, ainda que nao sejam cosmopolitas (nem Shanghai, a “Paris do Oriente” e cosmopolita), sao tao modernas quanto qualquer cidade europeia.

                

 No entanto, existe uma imagem muito estereotipada do Ocidente; no fundo, aquela que se pode ver nos filmes ou séries de TV. Os americanos são fixes, os europeus são cultivados, os africanos são primitivos; Algumas pessoas acham estranho que um estrangeiro branco apanhe um autocarro, o metro, ou compre vegetais no supermercado local (afinal, não são ricos?). Ah, e a maioria dos países fora da China são lugares potencialmente perigosos.  Muitos avós adoram levar o netinho ao Mailangdao (Macdonalds- o maior do mundo costrumava ser no centro de Pequim) ou toda a família vai ao Kendeji (KFC ) para…ter uma experiência cultural!

                                               

Fontes e recursos adicionais:

 www.wri.org/publication/content/8414

www.earthtrends.wri.org/updates/node/271

www.seeingredinchina.com

Vista Sul desde o mausoleu de Sun Yat Sen em Nanjing, o fundador da Republica ChinesaMais de um ano se passa agora desde que vivo em Nanjing a tirar um mestrado em Farmacia Chinesa. Embora inicialmente me candidatara a uma bolsa numa universidade de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), acabei enviado para uma universidade Farmacêutica (a melhor na China) para fazer a pesquisa no moldes convencionais.
De qualquer forma, aproveitei a chance de vir para a China com o objetivo de mergulhar na cultura e de obter algo útil para a minha prática clínica.

Há tantas coisas a acontecer neste enorme pais, que so vendo com os seus próprios sentidos alguem acreditaria. Espero agora ir cumprindo uma minha promessa de blogar sobre um pouco disto.

A  China moderna ainda é como um adolescente a tentar encontrar seu caminho, com alguma inexperiencia, sabedoria e insight, e alguma rebeldia misturada. Deveremos esperar uma cultura um pouco mais sabia e responsavel , mesmo no seu papel internacional, em cerca de dez – quinze anos. Mas arrisco dizer tambem que algumas das mudanças que sabemos serem precisas agora, poderao levar até cem anos a poderem acontecer.

A MTC na China está a perder algum terreno para a Medicina convencional, na medida em que e mais facil tomar um comprimido do que assumir um estilo de vida saudavel. Embora o Partido procure graduar meio milhão de médicos de MTC para as areas rurais nos próximos anos, centenas de medicos num programa de tutor-aprendiz nos moldes tradicionais se tenham formado e muita pesquisa hospitalar seja feita no formato tradicional, neste momento, em hospitais de MTC, apenas 20% dos remédios receitados são ervas chinesas, as grandes multinacionais farmaceuticas estao em forca na China e as faculdades de Farmácia tem tido incriveis investimentos em R&D, na medida em que os grandes laboratórios vem aqui para fazer pesquisa mais acessivel.  Como as ciências bioanalíticas desenvolveram-se tremendamente nos últimos 10-15 anos, pesquisas muito interessantes estao a surgir, ficando mais barato que procurar por novas moléculas e a teoria tradicional pode orientar direccoes nas quais se podem procurar novos “alvos” farmacologicos. A integração dos paradigmas tem valido a pena. Teremos tambem de ter responsabilidade em usar isto com sabedoria.

Apesar de mais dedicado apenas a uma pequena parte do que e o cosmos da MTC, estou a aprender muito – quando trato pacientes na clinica em Portimao durante alguns meses por ano, a tecnica e agora mais madura e fundamentada. E como “efeito colateral” de viver no Oriente, não tendo a diferenciar o que é interior do que é exterior, objectivo do subjectivo. Vim para a China principalmente porque realmente me apaixonei pela cultura e, de facto, estou a desaparecer na melhor parte dela.

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